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As 9 faces da fome: alimentação consciente para corpo e alma

  • Raquel Echeimberg
  • 8 de mai.
  • 3 min de leitura

Você já parou para pensar que a fome não é uma coisa só?

Ilustração das 9 tipos de fome: fome dos olhos, do nariz, da boca, do estômago, celular, da mente, do coração, do intestino e da alma. Artigo da nutricionista Raquel Echeimberg no P4USA.
"Descobrir qual fome me afeta me ajudará progredir"

As 9 faces da fome: alimentação consciente para corpo e alma




As 9 faces da fome são técnicas do Mindful Eating (Comer com Atenção Plena).  Embora o conceito de Mindfulness tenha sido difundido globalmente por Jon Kabat-Zinn, foi a Dra. Jan Chozen Bays quem estruturou didaticamente essas diversas formas de sentir fome.


Não são um conceito original da nutrição clínica — mas são uma ferramenta poderosa que eu uso para ajudar meus pacientes a se reconectarem com o ato de comer.


Porque, no fundo, a chave é esta: estar presente.


Só quando a gente está presente no ato de comer é que conseguimos escolher de verdade.


Então, quais são essas 9 fomes?


  1. Fome dos olhos – aquela que vê um prato lindo e já quer.


  2. Fome do nariz – o cheiro do pão saindo do forno nos faz comer mesmo sem fome.


  3. Fome da boca – a vontade de sentir o crocante, o cremoso, o aveludado.


  4. Fome do ouvido – o barulho do alimento (um prato quente, uma embalagem sendo aberta) pode despertar o desejo.


  5. Fome das mãos – a textura, o peso, a temperatura do alimento na sua mão também convida.

  6. Fome do estômago – a fome fisiológica genuína, que ronca, aperta, pede nutriente.


  7. Fome fisiológica – necessidade bioquímica, falta de macro ou micronutrientes.


  8. Fome do coração (ou da alma) – aquela que traz lembranças afetivas: pessoas que já morreram, reuniões de amigos que já se passaram, memórias que a gente sente no prato.

  9. Fome da mente – quando a gente esquece a própria essência e busca fora do corpo a própria referência. É daí que nascem os transtornos alimentares: anorexia, bulimia, compulsão periódica, vigorexia.



A fome da mente é a mais perigosa – porque ela nos tira de nós mesmas. Ela nos faz buscar no outro, na imagem, na régua externa, o que só pode ser encontrado dentro.


As técnicas do Mindful Eating me ajudaram a alinhar esse olhar com a autocompaixão (como ensina Kristin Neff, uma das grandes escritoras sobre o tema).

Quando a gente se olha com compaixão, fica mais fácil estar presente. E estar presente é o primeiro passo para escolher — de verdade — o que vai nutrir o corpo e a alma.



Os 4Ps do Método P4USA aplicados às 9 fomes:


  • Pausar: Antes de comer, pare. Não reaja à fome como um reflexo. Crie um espaço entre o impulso e a ação. Pergunte-se: "O que está acontecendo comigo agora?"


  • Perguntar: "Que fome está falando agora? É a fome dos olhos, do nariz, da boca, do ouvido, das mãos, do estômago, a fisiológica, a do coração, ou a da mente?"


  • Pensar: "O que esta fome realmente está pedindo? Um alimento ou outra coisa? Se for fome da mente: de onde vem essa busca fora de mim? O que estou tentando preencher?"


  • Praticar: Escolha a resposta que nutre de verdade. Se for fome do corpo, coma com presença, gratidão e consciência. Se for fome da alma: ore, respire, escreva, conecte-se com alguém. Se for fome da mente: pergunte-se novamente. A resposta pode não estar no prato.


Não alimente no prato o que só a alma pode saciar. Quando você aprende a distinguir as fomes, você começa a governar o seu tabernáculo. E a sua alma respira com mais Alegria.


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